Financiamento solar: como funciona, quem aprova e como comparar taxas
41% das vendas de solar em 2025 foram financiadas. As taxas em 2026 partem de ~1,1% a.m. (BV, Santander, Solfácil); compare sempre o CET e garanta que a parcela fique igual ou menor que a economia na conta de luz.
Ailton Santos · Founder — · Atualizado em

O financiamento de energia solar em 2026 parte de cerca de 1,1% ao mês nas principais linhas (BV, Santander e Solfácil), com prazos de até 96 a 120 meses e carência para a primeira parcela vencer depois que o sistema estiver ligado. Quatro em cada dez sistemas vendidos no Brasil são financiados. Para saber se vale a pena, compare o CET, e não só a taxa, e confira se a parcela fica igual ou menor que a economia na conta de luz.
Crédito solar em 2026
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- Selic em agosto de 2026, após 4 cortes
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Fonte: Greener (mar/2026); Soffcal (jun/2026); Copom (ago/2026)
Como funciona o financiamento solar, passo a passo
- Você escolhe o sistema e a empresa. O financiamento vem depois da proposta, não antes. Quem intermedeia é normalmente a própria instaladora, que trabalha com uma ou mais financeiras parceiras.
- Análise de crédito comum. CPF, renda e score, como em qualquer crédito ao consumidor. O produto típico é um CDC (crédito direto ao consumidor) com destinação para o sistema.
- Prazo e carência. Prazos de até 96 a 120 meses e carência de 3 a 6 meses, para o sistema ser homologado e começar a gerar antes da primeira parcela.
- A financeira paga a instaladora e você paga as parcelas. A economia na conta começa quando a distribuidora troca o medidor.
Taxas de financiamento solar por banco (2026)
Instituição | Taxa de referência | Prazo e carência | Observação |
|---|---|---|---|
BV | a partir de 1,17% a.m. | até 96 meses; carência de 120 dias | maior player do setor |
Santander | a partir de 1,11% a.m. (correntista) | conforme análise | 1,40% a.m. para não correntista |
Solfácil | CET de 1,17% a 1,50% a.m. | até 120 meses; carência de até 6 meses | fintech especializada em solar |
Cooperativas (Sicredi, Sicoob, Cresol) | varia por cooperativa | conforme cooperativa | costuma ficar abaixo dos bancos para associados |
FNE Sol (BNB) | ~0,75% a.m. para pessoa física | conforme linha | só no Nordeste; a melhor taxa do país quando disponível |
Taxas de referência publicadas em junho de 2026. O valor final depende do seu perfil de crédito. Com a Selic em queda, a tendência para 2026 e 2027 é de melhora gradual.
As instituições mais usadas pelos instaladores em 2025 foram BV (36%), Santander (19%), Solfácil (18%), Sicredi (17%), Sol Agora e Sicoob (14% cada). Para o produtor rural, as linhas do Plano Safra têm taxas bem menores, a partir de 2,5% a 3% ao ano; estão detalhadas no post sobre energia solar no agro. Empresas encontram condições próprias no guia de energia solar para PJ.
A conta que decide: parcela contra economia
Financiamento solar vale a pena quando a parcela cabe dentro do que você deixa de pagar de luz. Um exemplo real de mercado: sistema de 6,6 kWp financiado em 84 meses, com parcela de R$ 490 e economia de R$ 662 por mês. Sobra dinheiro desde o primeiro mês, e quando o contrato termina a energia continua.
Para a sua casa, a referência de economia sai do simulador da Solar Community. Estimativas na média do Brasil, já com o Fio B de 2026:
Conta de luz | Sistema | Investimento (média de mercado) | Economia estimada por mês |
|---|---|---|---|
R$ 400 | 4,0 kWp | R$ 10.600 | R$ 313 |
R$ 800 | 8,0 kWp | R$ 17.700 | R$ 667 |
Com a economia na mão, a pergunta à financeira fica objetiva: qual prazo deixa a parcela abaixo desse valor, com o menor CET? Se nenhuma combinação fecha, uma entrada de 10% a 20% costuma resolver. O post sobre payback solar mostra a conta completa para quem paga à vista.
Por que o crédito é negado, e como aumentar a aprovação
Não é só com você: 52% das instaladoras apontam a dificuldade de aprovação de crédito como um dos maiores gargalos do setor, e 58% reclamam dos juros altos. Os motivos mais comuns de negativa são score baixo, renda não comprovada e comprometimento de renda acima de cerca de 30%.
Três práticas que aumentam a aprovação:
- Proposta no CPF de quem tem a maior renda comprovada da casa.
- Entrada parcial de 10% a 20%, que derruba a parcela e o risco para a financeira.
- Cotar em mais de uma instituição. Os critérios variam bastante entre bancos, fintechs e cooperativas.
Como comparar propostas de financiamento sem cair em pegadinha
- Compare o CET, não a taxa nominal. O Custo Efetivo Total inclui IOF, seguros e tarifas. Duas propostas de "1,2% ao mês" podem ter CETs bem diferentes.
- Carência até a ligação. A primeira parcela deve vencer depois que o sistema estiver homologado e gerando. Pagar parcela e conta cheia ao mesmo tempo é o pior dos cenários.
- Seguro embutido e parcela "balão". Recuse seguro que você não pediu e confira se não há parcela maior no fim do contrato.
- Planilha por escrito. Peça o fluxo de parcelas completo antes de assinar.
Financiar ou pagar à vista?
Se você tem o dinheiro parado rendendo menos que o CET do financiamento, pagar à vista costuma ser melhor: o payback fica mais curto e você não paga juros. Se o dinheiro tem destino mais rentável, ou se é a sua reserva de emergência, financiar com parcela abaixo da economia preserva o caixa e mantém o ganho mensal. Em qualquer caso, o preço do sistema continua sendo a variável principal: veja a referência de quanto custa energia solar em 2026 antes de discutir taxa.
Na Solar Community, as propostas dos integradores chegam lado a lado, e o pagamento pode ser feito por PIX, cartão, boleto ou financiamento integrado, com as condições visíveis para comparar.
Fontes
- Greener, Estudo Estratégico GD mar/2026: 41% de vendas financiadas; 47 instituições; ranking de bancos; gargalos de juros e aprovação.
- Soffcal (jun/2026): taxas de referência de BV, Santander, Solfácil e FNE Sol.
- O Tempo (05/08/2026): Selic a 14% a.a.
- CustoSolar: exemplo de financiamento com fluxo de caixa positivo.
- Simulador da Solar Community: economia estimada por valor de conta (média Brasil, Fio B de 2026).